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Quando nasci...

no dia em que nasci,
já se tinha anunciado a Primaveira,
em plenos pulmões de Abril
por entre flores e espingardas,
e abraçados exilados de casa.

no dia em que nasci,
era o quarto dia de Abril,
o dia em que a canção
maquilhada em pó de arroz,
pressentia um silêncio póstumo.

No dia em que eu nasci,
no ano anterior a isso,
quebrara-se o elo do amor,
por entre atmosferas digitais,
de almas mortas em desordem.

No dia em que eu nasci
certamente nesse e noutros dias,
a glória passeou-se em campo,
vergando com dança de pés,
quem em queda lhes impedia o andar.

No dia em que eu nasci,
se para mim foi o primeiro,
para outros que não conheci,
e lamento que assim tenha sido,
foi o último no inicio de novo caminho.

Comments

gisela said…
no dia em que nasceste nasceu um poeta um escritor, alguém que brinca com as palavras a sua maneira e lhes da uma outra dimensao. parabens gostei muito do poema

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