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Cor

Deixa que te crie em esboços de forma e te dê vida a lápis de cor A tua boca será rosa petala de cheiro e bussola do desejo de quem dorme em ti. Teu corpo serão olhos verdes em tons de mar, tingidos de estrelas em espelhos de sol. teus pés serão castanhos da areia que te abraça que beija e enleia para o retrato final.

Saudades

A dor da saudade Contem inumeras palavras nos espaços entre as letras. As que não pronuncio escorregam no esquecimento daquelas que sinto na pele. E que são ditas para preencherem o vaziodos conceitos inoquos, Verbalizados na torrente dos sentidos despertos pela ausência da certeza. A saudade é o fim Da visualização permamente Do obejcto querido. E o começo da fuga para os lugares escuros da sombra do horizonte.

Consciência de Ser

Sei hoje que o longe pouco ou nada me importa, ou se o lado de lá da porta se esconde ou se foge. Sei hoje que fui convidado por carta registrada, sem ser dado ou achado Para o caminho que é estrada. Sei hoje tão bem que nasci sem o saber e que o nascer também requer querer viver.

Flor de cheiro

Por tanto te querer encontrar comprei o cheiro de uma flor embrulhado em quatro bicos pronto a circular ao vento em todo o que é lugar. Se o vires a voar rentinho ao chão sopra-lhe para as asas dá-lhe um empurrão, mas nunca deixes a corrente levá-lo para fora de mão. Quando ele quiser pousar estende-lhe os cabelos e a pele da tua mão, deixa-o aterrar e parar quando terra avistar.

Jogo

Sentado à direita, joga-se a perfeição na minha mão virada para mim. Se dependesse de mim jogaria todos os trunfos e as mangas da camisa que trago vestida. Sentado à esquerda joga-se fé na glória como se ela nascesse em cada jogada. Se dependesse de mim faria renuncia à vitória e fazia da derrota a minha virtude.

Batidas

Como um passáro que voa à procura de uns braços macios que tornem o inverno um pouco diferente dos verãos de areia fina, bates asas de punho cerrado, erguido à minha face. Quando me bates gritas "A maior mentira não é a morte ou a certeza da vida, é a dor do amor".

Revelação

Sou a voz do amanhã Porque hoje estou mudo. Tenho o andar dos dias e os pés atados. Sou a certeza de hoje, e a cruz da verdade. Creio no peso das nuvens e na cor das rosas. Sou a revelação De mais um crescer, Antes do nascer Mesmo depois do querer. Sou a sombra de mais um, De outro e mais algum. Ando aos ombros de tudos e de mao dada com nenhum. Sou a palavra e o verbo da boca do maldito Sou o número e a soma do hoje mais amanhã.

Entrada

Entra... Não faças barulho, posso acordar Entra... Sem eu dar conta Entra... E deita-te ao meu lado Entra... E olha-me como nunca Entra... Beija-me suavemente Entra... No sonho que sonho Entra... Não te vais arrepender Entra... E... ...fecha a porta.

Sapatos

Ontem mandei meus sapatos Ao mar... Para ver se nele conseguia Andar... Mas qual foi a certeza Ao ver... Que sem eles eu me Afogava...